quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O deserto... é uma mistura de medo e fascínio. Fiz esse blog para escrever sobre minha viagem ao deserto do Atacama.  Viagem que não aconteceu.  Simplesmente não consegui partir. O meu coração partiu em direção ao Atacama, e todo meu ser queria estar com ele. Programei tudo, fiz a mala, tinha dinheiro, passagem, transporte. Mas não tinha coragem.  Sofri durante dias, tive medo de tudo, e fui superando cada um deles, usando a razão ou a fé. Tive medo da viagem de avião, medo de viajar sozinha para um lugar pequeno e sem muitos recursos médicos, talvez sem comunicação.  Tive medo da altitude, medo do desencontro e de me sentir só.  Tive medo de sentir medo, e esse foi, e é, o pior sofrimento.
No meio da madrugada que antecedia minha partida de casa, que seria às cinco da manhã, o medo e a angústia me deram vontade de vomitar, sintoma que conheço bem, e ali, com uma dor de cabeça que me massacrava, decidi que não seria possível partir. Cancelei o táxi que me levaria ao aeroporto. Ao meu coração em viagem, mandei uma mensagem explicando. Nesse momento, no silêncio escuro da noite urbana, um estrondo. Um transformador estourou, coisa não rara, e a rua ficou às escuras.  Tentei o interruptor do quarto: sem luz.  Fui aos elevadores do prédio, e nenhum dos três funcionava.  "Bonito", pensei, " se eu não tivesse decidido não ir, como iria descer quinze andares com uma mala grande?"
A luz só voltaria uma hora depois do horário do voo.  O sono, esse ainda não voltou.  Mas voltará, eu sei. 
O deserto, às vezes, toma conta de nós.

Nenhum comentário:

Postar um comentário